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...............................................................................RESUMO DO PROJECTO.......................................................................

 

Vivemos hoje sob o império da imagem. Depois da voz e da escrita, é a imagem que adquire uma inaudita relevância. Ela determina a nossa vida de forma cada vez mais decisiva, tanto a nossa maneira de ver o mundo como a forma de nele inscrevermos a nossa existência individual e colectiva. Qual o bem fundado desta apreciação? Em que consiste o novo estatuto da imagem, se é que existe?

Mas, o que é afinal a imagem? Como tem sido pensada pela tradição filosófica? Que novas aproximações teóricas têm sido propostas? Será a imagem apenas um meio de aceder ao conceito, efémero mediador, simples aparição? Ou, pelo contrário, uma realidade que se oferece enquanto apresentação sensível de uma ordem que só nela e por ela se dá a ver? Como explicar que seja a concepção de imagem como o mero meio que trabalha a expressão “meios audio-visuais” quando, paradoxalmente, sabemos que as novas tecnologias são um dos mais poderosos factores da espessura que a imagem hoje adquiriu.

Gadamer mostrou que, se o iconoclastismo é o receio de que a imagem possa funcionar como fim em si mesma, a arte foi salva no ocidente cristão porque aí a imagem se deixou pensar, não como algo que reenvia ao que representa, mas de forma positiva, pela sua capacidade de afirmar aquilo que o modelo por si só não poderia afirmar. A sacralização da Arte encontraria o seu fundamento numa compreensão da imagem em que esta é, não uma simples “cópia” que vale pela sua capacidade de veicular a realidade que representa, mas como realidade dotada de um ser próprio. Não poderão as recentes produções artísticas ser pensadas como expressão desta valorização extrema da imagem?

E na ciência? Será que a imagem desempenha mais do que uma função representativa e ilustrativa? Se assim é, quais os papeis ou as funções que aí desempenha? Por que são as imagens usadas em ciência? Como são usadas? O que significa dizer que uma imagem científica é verdadeira? E será que a imagem científica obedece a determinações artísticas? Em caso afirmativo, como pode ser artisticamente avaliada, com que critérios?

Sabemos que a História e a Filosofia da Ciência de inspiração positivista negligenciaram o estudo da imagem em ciência atribuindo-lhe um mero papel ilustrativo. Por seu lado, os Historiadores da Arte só se têm interessado pela imagem científica enquanto elemento decorativo e a Iconografia só as tem estudado em termos técnicos, à margem da ciência que são supostas ilustrar. O Projecto A Imagem na Ciência e na Arte está interessado em estudar a imagem em ciência em termos internos, relativos à constituição do discurso científico, aos efeitos de estabilização, reforço ou simbiose que mantém com a palavra, e externos, determinando os factores ideológicos e estéticos que intervêm na sua produção e utilização.

 

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Com base numa equipa interdisciplinar, este projecto tem a imagem como objecto de investigação. A metodologia será comparativa e de estudos de caso, cruzando sempre Arte, Ciência e Filosofia.

Este projecto toma como seus os seguintes objectivos:

  • Fazer o estudo histórico de quatro obras paradigmáticas quanto ao estatuto híbrido que a imagem nelas desempenha, enquanto dispositivo de saber dotado de valor estético vs objecto artístico cognitivamente orientado (Leonardo, Vesalius, Goethe e Darwin) (tarefa 5)

  • Investigar as formas pelas quais a imagem é usada na construção do conhecimento científico e na comunicação/divulgação da ciência a partir do estudo sistemático da ilustração científica em Portugal (tarefa 7) e do levantamento exaustivo do seu lugar na revista Nature e em duas revistas portuguesas (científica e de divulgação - tarefa 6)

  • Em colaboração com a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e a Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, identificar, catalogar e estudar a inexplorada colecção de desenhos anatómicos do Museu de Medicina da Universidade de Lisboa (tarefa 8), comparando-a com a colecção de desenhos de nu da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa (tarefa 9). Esperamos que a confrontação entre o estudo científico da anatomia humana e o desenho artístico do corpo humano tenha resultados heurísticos relevantes.

  • Em diálogo com a tradição filosófica e alguns dos seus desenvolvimentos no século XX (Bachelard e Deleuze - tarefa 4), questionar a própria natureza da imagem e, se possível, colaborar na elaboração de uma "filosofia da imagem" (tarefa 1).

  • Interrogar o alcance das recentes explorações (anos 90) da Neuroestética (tarefa 10).

 

 

Assumimos três compromissos fundamentais:

  • dar especial atenção a produção portuguesa de imagem em termos de ciência e arte;

  • promover a investigação interdisciplinar entre as comunidades artística, científica e filosófica em Portugal;

  • divulgar amplamente o nosso trabalho e resultados (tarefa 11)


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Instituição proponente
Centro de Filosofia das Ciências da UL

Instituições participantes
Museu de Medicina da FMUL
Faculdade de Belas Artes da UL

Parcerias

Ectopia - Laboratório de Experimentação Artística do Instituto Gulbenkian de Ciência
Espaços do Desenho
Faculdade de Belas Artes - Universidade de Lisboa
Goethe-Institut Portugal
Instituto Franco-Portugais
Projecto "Filosofia, Medicina e Sociedade"
Fundação Calouste Gulbenkian
Imag(in)ing the Nano-scale: Interactions between Science and Art
Museu de Medicina - Universidade de Lisboa
Sociedade Nacional de Belas Artes

Instituição de Acolhimento
Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa

 

Financiamento
Fundação para a Ciência e Tecnologia

 

Data de início: 01.05.2007

Duração: 3 anos

Projecto apresentado à FCT: PTDC/EAT/64201/2006

 

 

 

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